18.1.12

Personalidades da fronteira – O gerente do Banco do Brasil Walther Rossi

Walther Rossi foi o Gerente do Banco do Brasil que instalou o agronegocio em Ponta Porã, Antonio João, Amambaí e demais municípios do Cone sul no então MT uno, ponto inicial da agricultura mecanizada de todo o Mato Grosso.

A Agência do Banco do Brasil S.A. de Ponta Porã foi o instrumento das Políticas de Governo que mais contribuiu para o desenvolvimento de todo o Cone Sul do Estado. Desde os mais remotos tempos em que José Pinto Costa, comerciante e produtor rural assumiu a Representação deste Banco Oficial aqui na Fronteira a Instituição financeira vem refletindo o programa e a vontade comercial de cada Governo.

As principais fases econômicas pelas quais passamos, com as riquezas da Erva-Mate e da Pecuária primaria e extensiva, e a implantação do Território Federal ou com a chegada do Ramal Ferroviário seguido pelo ciclo da exploração das Madeiras até aos Planos de Desenvolvimento criados a partir de 1964 pelos Governos Militares, todo este vasto Território desde Antonio João até Mundo Novo nas margens do Paranazão orbitava ao redor desta Agência Regionalizada. Somente em 1970 foi criada a Agencia de Amambaí e o Posto de Mundo Novo.

Eu participei por mais de dez anos desse quadro como terceirizado do BB na CREAI, Carteira de Credito Agrícola e Industrial, em companhia dos saudosos fiscais e avaliadores Diogo Guimarães, Athamaryl Saldanha, Galba Torres, Patrício Cássia, Jary de Almeida e Jary Rodrigues Paz vivenciei a administração de diversos Gerentes, entre eles o saudoso Hugo Leite Penteado, fazendo sólidas amizades com os administrativos dessa Carteira José Ivolin Monteiro de Almeida, João Esgalha, Roberto Almirao de Carvalho, Jorge Joji Tamashiro, Cacildo Bella, nessa época contando com a participação do avaliador/topógrafo Jorge Maciel da Silva que até esta data presta serviços topográficos na BRASPLAN do Eng. Agr. Jarbas Shamaedeck.

O Gerente Walther Rossi que em 1968 chegou com sua Maria José nesta Fronteira, conquistou a amizade e o carinho de todos nós.

Com sua habilidade gerencial e o carisma pessoal confirmou amizades e parcerias fortes na área comercial e no setor rural. Com o apoio no campo social incentivou a abertura e instalação da Associação Atlética Banco do Brasil a AABB, que construindo sua sede urbana congregou não só os Funcionários, mas toda a comunidade usuária daquela Agencia. A bocha, o voleibol, o futebol de salão e as reuniões sociais aproximavam a sociedade local que começava a dar as boas vindas aos colonos gaúchos que chegavam em 1969/70 para dar inicio a agricultura mecanizada.

A sede social da AABB de Ponta Porã junto com nosso Sindicato Rural foram as primeiras anfitriãs dos colonos recém chegados que receberam ali o apoio logístico

necessário para a consolidação inicial do agronegocio.

O exemplo dos espanhóis Irmãos Martin Martin que na Granja Gredos estavam iniciando o plantio de extensas áreas de arros, trigo e soja às margens da Ruta V, saída para Asunción foi o grito de partida para o progresso.

Os campos nativos foram descobertos e aconteceu a chegada dos primeiros colonos gaúchos que com a adesão de diversos fazendeiros locais iniciaram a organização do agronegocio com a participação ativa da Agencia do Banco do Brasil de Ponta Porã.

Aqui formulamos as primeiras propostas de financiamento, cumprindo as normas exigidas pela Superintendência do BB, idealizando e implantando regras que foram aceitas pela Diretoria de Operações do Banco, sempre com o incentivo e o parecer experiente do Gerente Walther Rossi.

Neste contexto do agronegocio a habilidade gerencial do Walther conquistou um fato inédito, incluindo no ramo da produção rural os “turcos” tradicionais comerciantes Rafael Rafat, meu compadre Aley Ale e os irmãos Ezaat e Alexandre Iskandar Georges que se tornaram produtores de soja e de gado de corte.

As ações implantadas durante essa Gerencia resultaram na consolidação desta Nova Era do desenvolvimento regional e motivou a instalação da Empresa Agropecuária Três Coxilhas do comerciante/cerealista Fahd Jamil e que se transformou na primeira referencia tecnológica estadual na Transferência de Embriões e comercialização de sêmen bovino no Estado.

Ocupando essa Gerencia até 1973 o Walter Rossi foi servir ao Banco em outras Praças, e após sua aposentadoria regressou definitivamente para a Fronteira com sua Maria José e os filhos, convivendo agora com o progresso que ele ajudou a construir. (Retrospectiva – Artigo publicado em 2001)

NOTA DO AUTOR – 14 de janeiro de 2012 – Nesta data faleceu o gerente Walter Rossi aposentado do BB, um homem que nunca deixou de trabalhar. Após cumprir sua missão no Banco do Brasil retornou para a Fronteira, administrando, assessorando e organizando Empresas. Esta Personalidade da Fronteira vai continuar viva em nossa Historia. Valeu Rossi.

* Produtor Rural. Ex Presidente do Sindicato Rural de Ponta Porã.
agroney@bol.com.br

Ponta Porã – Um século de amor

A Princesa dos Ervais ao adentrar no ano de dois mil e doze, oficialmente comemora um século de amor. Cem anos de amor verdadeiro por este planalto antes pontilhado de lagoas e várzeas, ricas em águas e terras férteis que permitiram e saciaram a sede e a fome de nossos avós gaúchos, permitindo a continuidade de suas vidas e produzindo alimentos para as gerações vindouras.


A Princesa dos Ervais foi assim cantada em versos pelo imortal Dom Aquino Corrêa:


Nos píncaros selvagens e altaneiros

Da serra do Amambay nasceste um dia

Tu que te embalas na canção bravia

Do altivo beijo infrene dos pampeiros.


Princeza dos Hervais que ao sol fagueiros

Riem na verde fronde luzidia

Celebram-te em arcádicas poesias

Nas coxilhas em flor, os boiadeiros.


Bate em teu virgem peito, ao ritmo heróico

Da alma gentil do bandeirante estóico,

O sangue do gaucho ardente e puro.


E alem, mais belo e forte que o oceano,

O salto de Guayra entoa ufano

O prelúdio triunfal do teu futuro!”


Esta homenagem do mato-grossense salesiano Dom Aquino Corrêa, arcebispo e governador do MT, saúda os tempos de nossa primeira riqueza a Erva Mate, chamada de Ouro Verde. E então em 1943, por ato do Presidente Vargas este Sul Maravilha transformou-se em Território Federal. Ponta Porã, capital do Território tomou ares de cidade grande. Recebia vôos diários da Panair do Brasil – Viação Aérea Nacional – Real e o CAN – Correio Aéreo Nacional.

O Coronel Ramiro Noronha foi o primeiro governador nomeado. Em 1946 foi substituído pelo major Guiomar dos Santos, que com a saída de Getúlio do poder, cedeu seu lugar para o Dr. José de Albuquerque, médico de dona Santinha, esposa do marechal Eurico Gaspar Dutra, recém eleito Presidente da República. “E daí, o cuiabano acabou com a nossa festa, e o Território foi reanexado ao velho Mato Grosso”.

Chegaram os trilhos da NOB – Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e aconteceu um novo surto de progresso. Com o trem vieram os derrubadores de matas e os exploradores de madeiras. As ‘toras in natura’ foram exportadas e as riquezas naturalmente seguiram juntas. Restaram as pastagens artificiais que sustentaram por longos anos uma pecuária produtiva.


Em 1968 aconteceu uma segunda invasão gaúcha com a introdução da agricultura mecanizada. Os campos e coxilhas foram cultivados e tornaram-se mais promissores. As velhas pastagens foram destocadas e as terras recuperadas. A implantação e expansão do agronegócio pela região Sul do MT viabilizou e possibilitou em 1978 a criação do Estado de Mato Grosso do Sul.


E aqui pela fronteira atualmente vivemos uma nova fase áurea de desenvolvimento, com o turismo legal de compras em grande expansão, sabiamente estimulado e permitido pelos Governos das duas Pátrias. Completa-se também um século de amizade com o povo paraguaio, vivendo muitas histórias de amor.


Milhares de famílias paraguayas e brasileiras tem seus filhos casados entre as duas nacionalidades. E para não fugir à regra eu e Hedy temos uma nora e duas lindas netas asunceñas. E assim, em 2012, todos nós comemoramos Um Século de Amor.

* Um cidadão Fronteiriço.



Retrospectiva – A centenária figueira


Incentivado pelo amigo e decano jornalista o comendador João Natalício de Oliveira, desde o final da década de 60 do século passado iniciei timidamente a escrever artigos sobre ‘Pequenos Trechos da Grande História de Ponta Porã’, manchete que ele mesmo idealizou. E nesse espaço de quase cinqüenta anos, espelhando-me e tentando trilhar na mesma linha dos meus preferidos escritores/contadores de histórias regionais Hélio Serejo e Elpídio Reis e de historiadores e críticos literários deste Sul Maravilha como foi Paulo Coelho Machado e como é atualmente o Isaac Duarte de Barros Filho, e ainda tratando de temas sobre a economia rural, venho tentando registrar nossa contemporaneidade.


Com alegrias e esperanças comemoramos agora a início de um novo ano. Adentramos no Ano 2012 em que Ponta Porã festeja oficialmente o seu primeiro centenário, exatamente no dia 18 de julho. Nos últimos dias de 2011, após uma longa estiagem extemporânea e fatídica para a agricultura e outras atividades agropastoris nós produtores rurais amargamos a confirmação de sérios prejuízos financeiros.

A safra de verão 2011/12 foi definitivamente prejudicada em pelo menos 35 por cento, conforme dados oficiosos. A economia dos municípios do Sul do MS, sem distinção vai sofrer grande queda na arrecadação de tributos. Nos últimos dias do ano, exatamente 29 de dezembro inesperadamente uma tempestade com raios e ventos de alta velocidade atingiu o centro da cidade, causando inúmeros prejuízos materiais.

Fatidicamente um dos cultuados símbolos do início de nossa colonização a Figueira Centenária do Paço Municipal, não resistiu à inclemência do temporal e literalmente tombou definitivamente. Naquele final de tarde sentimos o calor humano dos habitantes da cidade, consternados ao admirar e cultuar a enorme árvore decepada e deitada qual um gigante adormecido.

Na manhã seguinte não foi diferente, enquanto os garis da Prefeitura executavam o trabalho da retirada dos troncos e galhos que obstruíam a Rua Antonio João, uma verdadeira multidão de pessoas aproximava-se, cada uma murmurando histórias vividas sob as frondosas sombras da velha figueira.

Comigo não foi diferente, e ali ao reencontrar um velho companheiro de farda do Onze o sargento Joel Portela, que também foi meu contemporâneo como militante do Internacional Futebol Clube, muitas lembranças afloraram em minha mente, como um filme de imagens inesquecíveis. Sob o manto protetor daquela Figueira por muitas vezes naquele local vestimos a camisa rubro-negra do nosso Inter da Fronteira, ao lado do Irala, do Aníbal Icassati, do Pavão/torneiro, Enéias e Laércio Cardoso, comandados pelo Geraldo Costa Ribeiro, seo Belmiro Albuquerque ou pelo Lauro Lorentz de Carvalho.

O futebol fronteiriço viveu tempos gloriosos no Campo da Figueira com o Ponta Porã F.C. da camisa azul e branca paixão do seo Nicandro Ernesto de Campos, do Nery Alves de Azambuja e do Carlito Roncati, não esquecendo do Byron Medeiros e dos Freitas lá do Monte Castelo. Dos atletas do Ponta vou citar o João Manoel Vasques, e o Acostinha. O time do Onze, o Guararapes das cores preta e amarela era a paixão do sargento Solis, do coronel Jefferson da Rocha Braune e do Coronel Erico Tinoco Marques.

O vermelho Noroeste E.C. do Cambona, do Dirceu, do Arizinho e da comunidade ferroviária marcou uma etapa. E o verde e branco do Club Comercial, último Campeão Amador do MT ainda Uno tinha no Ezaat Georges e no Olde Sanches os seus principais incentivadores, e daquele time vencedor de 77/78 posso citar o sargento Anzoategui, o sargento Aníbal, o Paqui, o Chico Brandão, Acostinha, Papi Fernandez.

E aqui deixo um abraço para o Bráulio Alvarenga um atleta e depois fanático cartola/torcedor do Águia da Fronteira. Falar sobre o Campo da Figueira é recordar obrigatoriamente do Ferriol, que foi zelador, roupeiro, jogador, bandeirinha e até membro da diretoria da Liga. Além do Futebol a velha Figueira abrigou em suas sombras muitos casais de namorados e amantes, trocando juras de amor.

Tristemente devemos registrar mortes por suicídio com enforcamento utilizando seus possantes e sagrados galhos. Pela década de 60, nos feriados e nos sábados à tarde as aconchegantes sombras das duas Figueiras recebiam em uma Feira Livre os produtores e vendedores de legumes, frutas, carnes e demais produtos naturais muito procurados pela população urbana.

Assim mais uma vez devo reverenciar e agradecer a natureza que sabiamente colocou as figueiras em nossas vidas. Ao iniciar minha vida rural, naquelas sombras benfazejas eu estacionava meu velho Chevrolet 51 – que nos finais de semana descansava do transporte de erva-mate, carregando para a Feira da Figueira a minha produção de abóboras, melancias, leitões, frangos caipiras e a tradicional mandioca dos caatins, a mais deliciosa.

Ao lado dos açougues do Aristides Bueno e do meu tio Catão Lageano que carneavam as vacas do Jamil Derzi, utilizando um galho da Figueira eu pendurava os ganchos da balança/mondana para avaliar as compras do José Lorentz de Carvalho e do seu irmão João Moritz, do sargento Dodô, Domingos Santana, do Honório Almirão fiscal municipal, do Adê Marques exator, amigos que já não estão entre nós.

Acredito que outros compradores como o casal de dentistas Sebastião Pereira e a Irma Portela Freire ainda com saúde, hoje ao lerem esta crônica reverenciem o renascimento de mais de uma Figueira naquele mesmo local, cumprindo a Tradição secular. E assim a história deve continuar.

2012 – Um Século Nos Contempla.


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